Manuel Geraldo Luís Temas Transversais II Unidade Curso de Lic. em Educação Visual
1.Novas formas de ensinar e aprender com tecnologias
Educar é
colaborar para que professores e alunos - nas escolas e organizações -
transformem suas vidas em processos permanentes de aprendizagem. É ajudar os
alunos na construção da sua identidade, do seu caminho pessoal e profissional -
do seu projecto de vida, no desenvolvimento das habilidades de compreensão,
emoção e comunicação que lhes permitam encontrar seus espaços pessoais, sociais
e profissionais e tornar-se cidadãos realizados e produtivos.
Na
sociedade da informação todos estamos reaprendendo a conhecer, a comunicar-nos,
a ensinar e a aprender; a integrar o humano e o tecnológico; a integrar o
individual, o grupal e o social.
Uma
mudança qualitativa no processo de ensino/aprendizagem acontece quando
conseguimos integrar dentro de uma visão inovadora todas as tecnologias: as
telemáticas, as audiovisuais, as textuais, as orais, musicais, lúdicas e
corporais.
Passamos
muito rapidamente do livro para a televisão e vídeo e destes para o computador
e a Internet, sem aprender e explorar todas as possibilidades de cada meio.
O
professor tem um grande leque de opções metodológicas, de possibilidades de
organizar sua comunicação com os alunos, de introduzir um tema, de trabalhar
com os alunos presencial e virtualmente, de avaliá-los.
Cada
docente pode encontrar sua forma mais adequada de integrar as várias tecnologias
e procedimentos metodológicos. Mas também é importante que amplie, que aprenda
a dominar as formas de comunicação interpessoal/grupal e as de comunicação
audiovisual/telemática.
Não se
trata de dar receitas, porque as situações são muito diversificadas. É
importante que cada docente encontre o que lhe ajuda mais a sentir-se bem, a
comunicar-se bem, ensinar bem , ajudar os alunos a que aprendam melhor. É
importante diversificar as formas de dar aula, de realizar actividades, de
avaliar.
Com a Internet
podemos modificar mais facilmente a forma de ensinar e aprender tanto nos
cursos presenciais como os de a distância. São muitos os caminhos, que
dependerão da situação concreta em que o professor se encontrar: número de
alunos, tecnologias disponíveis, duração das aulas, quantidade total de aulas
que o professor dá por semana, apoio institucional. Alguns parecem ser, actualmente,
mais viáveis e produtivos.
No
começo procurar estabelecer uma relação empática com os alunos, procurando
conhecê-los, fazendo um mapeamento dos seus interesses, formação e perspectivas
futuras. A preocupação com os alunos, a forma de relacionar-nos com eles é
fundamental para o sucesso pedagógico. Os alunos captam se o professor gosta de
ensinar e principalmente se gosta deles e isso facilita a sua prontidão para
aprender.
Vale a
pena descobrir as competências dos alunos que temos em cada classe, que
contribuições podem dar ao nosso curso. Não vamos impor um projecto fechado de
curso, mas um programa com as grandes directrizes delineadas e onde vamos
construindo caminhos de aprendizagem em cada etapa, estando atentos - professor
e alunos - para avançar da forma mais rica possível em cada momento. É
importante mostrar aos alunos o que vamos ganhar ao longo do semestre, por que
vale a pena estarmos juntos. Procurar motivá-los para aprender, para avançar,
para a importância da sua participação, para o processo de aula-pesquisa e para
as tecnologias que iremos utilizar, entre elas a Internet.
O
professor pode criar uma página pessoal na Internet, como espaço virtual de
encontro e divulgação, um lugar de referência para cada matéria e para cada
aluno. Essa página pode ampliar o alcance do trabalho do professor, de
divulgação de suas idéias e propostas, de contacto com pessoas fora da
universidade ou escola. Num primeiro momento a página pessoal é importante como
referência virtual, como ponto de encontro permanente entre ele e os alunos. A
página pode ser aberta a qualquer pessoa ou só para os alunos, dependerá de
cada situação. O importante é que professor e alunos tenham um espaço, além do
presencial, de encontro e visibilização virtual.
No
brazil hoje começam a ter acesso a programas que facilitam a criação de
ambientes virtuais, que colocam alunos e professores juntos na Internet.
Programas como o Eureka da PUC de Curitiba, o LearningSpace da Lotus-IBM, o
WEBCT, o Aulanet da PUC do Rio de Janeiro, o FirstClass, o Blackboard e outros
semelhantes permitem que o Professor disponibilize o seu curso, oriente as actividades
dos alunos, e que estes criem suas páginas, participem de pesquisa em grupos,
discutam assuntos em fóruns ou chats. O curso pode ser construído aos poucos,
as interações ficam registadas, as entradas e saídas dos alunos monitoradas. O
papel do professor se amplia significativamente. Do informador, que dita
conteúdo, se transforma em orientador de aprendizagem, em gerênciador de
pesquisa e comunicação, dentro e fora da sala de aula, de um processo que
caminha para ser semi-presencial, aproveitando o melhor do que podemos fazer na
sala de aula e no ambiente virtual.
O
professor, tendo uma visão pedagógica inovadora, aberta, que pressupõe a
participação dos alunos, pode utilizar algumas ferramentas simples da Internet
para melhorar a interacção presencial e virtual entre todos.
1.3.Lista
electrónica/Fórum
Em
relação à Internet, procurar que os alunos dominem as ferramentas da WEB, que
aprendam a navegar e que todos tenham seu endereço electrónico (e-mail). Com os
e-mails de todos criar uma lista interna de cada turma ou um fórum.
A lista electrónica
interna ajuda a criar uma conexão virtual permanente entre o professor e os
alunos, a levar informações importantes para o grupo, orientação bibliográfica,
de pesquisa, a dirimir dúvidas, a trocarmos sugestões, envio de textos, de
trabalhos.
A lista electrónica
é um novo campo de interacção que se acrescenta ao que começa na sala de aula,
no contacto físico e que depende dele. Se houver interacção real na sala, a
lista acrescenta uma nova dimensão, mais rica. Se no presencial houver pouca interacção,
provavelmente também não a haverá no virtual.
1.4.Aulas
- pesquisa
Podemos
transformar uma parte das aulas em processos contínuos de informação,
comunicação e de pesquisa, onde vamos construindo o conhecimento equilibrando o
individual e o grupal, entre o professor-coordenador-facilitador e os
alunos-participantes activos. Aulas-informação, onde o professor mostra alguns
cenários, algumas sínteses, o estado da arte, as coordenadas de uma questão ou
tema. Aulas-pesquisa, onde professores e alunos procuram novas informações,
cercar um problema, desenvolver uma experiência, avançar em um campo que não
conhecemos. O professor motiva, incentiva, dá os primeiros passos para
sensibilizar o aluno para o valor do que vamos fazer, para a importância da
participação
2.Meios de Comunicação na Educação
"A escola precisa repensar urgentemente a sua
relação com os Meios de Comunicação, deixando de ignorá-los ou considerá-los
inimigos. A escola também não pode pensar em imitá-los, porque nos Meios
predomina a função lúdica, de entretenimento, não a de organização da
compreensão do mundo e das atitudes."
"A escola pode e precisa estabelecer
pontes com os Meios de Comunicação. Pode utilizá-los como motivação do
conteúdo de ensino, como ponto de partida mais dinâmico e interessante diante
de um novo assunto a ser estudado. Podem os Meios apresentar o próprio conteúdo
de ensino (...) bem como ser, eles próprios, objecto de análise, de
conhecimento."
"Os Meios de Comunicação - o jornal, o rádio, a televisão, o cinema - podem ser utilizados como ponto de partida de um novo assunto, como pesquisa prévia para debates, como motivação, como estímulo."
"Os Meios de Comunicação - o jornal, o rádio, a televisão, o cinema - podem ser utilizados como ponto de partida de um novo assunto, como pesquisa prévia para debates, como motivação, como estímulo."
"Os Meios podem ser utilizados também como conteúdo de ensino, como informação, como forma de passar conteúdos organizados, claros e sequenciados, principalmente o vídeo instrucional, educativo o qual é útil para o professor, porque lhe dá a chance de completar as informações, de reforçar os dados passados pelo vídeo. Eles não eliminam o papel do professor; ao contrário, ajudam-no a desenvolver sua tarefa principal, que é a de obter uma visão de conjunto, educar para uma visão mais crítica."
"A escola precisa, enfim, no seu Projecto
Educativo, considerar a questão dos Meios de Comunicação e da comunicação como
parte integrante - e não marginal - do processo educativo integral do novo
aluno-cidadão, visando construir uma sociedade realmente democrática."
(José Manuel Moran)
Os meios de comunicação
actuais poderiam facilitar a vida do educador no processo de ensino e
aprendizagem, fazendo com que os trabalhos dos alunos poderiam ser entregues a
qualquer momento até ao fim do prazo por ele estabelecido.
Poderiam usa-las
com discernimento e transforma-las em materiais didácticos para motivação e
aprendizagem do aluno e faze-los ver a parte construtiva dos meios de
comunicação e não só a parte divertida.
Ex: o facebook e
o twitter ou blogs podem ser usada na divulgação de livros ou referências
bibliográficas para os alunos; a internet por emails poderiam ser usados para
testes on line nas salas de aulas.
3.O vídeo e TV na educação
O vídeo tem sido
desde muito tempo um material de uso normal nas salas de recreação e em casas
comuns de famílias para ilustrar acontecimentos filmes e mais outros conteúdos,
isto com os conhecido retroprojectores, mas por si só ela não faz diferença em
uma sala de aula ou na educação é necessário que haja uma TV para que se faca a
projecção do conteúdo a ser ensinado. O vídeo permite mostrar cada passo
estrutural de um tema ou em outras palavras o vídeo permite mostrar o que o
professor fala oralmente, como forma de exemplo, o que aconteceria por exemplo
na práctica. É claro que na educação não se teria sempre a oportunidade de uso
de retroprojectores, então o uso lógico e sábio da TV faz diferença, pois o
alunos conteúdo do CD, DVD, ou CASSETE pode ser projectada na tela da televisão
e fazer com que os alunos prestem mais atenção no conteúdo e compreenda melhor
o assunto.
Ex: se esta a
falar de Pintura Gótica por exemplo, o professor pode com o auxílio de vídeo e
TV projectar um filme que ilustra acontecimentos relacionados a idade média e
avaliar seus alunos, se eles conseguem ou não identificar algumas Pinturas
Góticas no filme.
Conclusão
De um professor
espera-se, em primeiro lugar, que seja competente na sua especialidade, que
conheça a matéria, que esteja actualizado. Em segundo lugar, que saiba
comunicar-se com os seus alunos, motivá-los, explicar o conteúdo, manter o
grupo atento, entrosado, cooperativo, produtivo. Muitos se satisfazem em ser
competentes no conteúdo de ensino, em dominar determinada área de conhecimento
e em aprimorar-se nas técnicas de comunicação desse conteúdo. São os
professores bem preparados, que prestam um serviço importante socialmente em
troca de uma remuneração, em geral, mais baixa do que alta.
Na educação, escolar ou
empresarial, precisa-se de pessoas que sejam competentes em determinadas áreas
de conhecimento, em comunicar esse conteúdo aos seus alunos, mas também que
saibam interagir de forma mais rica, profunda, vivencial, facilitando a
compreensão e a prática de formas autênticas de viver, de sentir, de aprender,
de comunicar-se. Ao educar facilitamos, num clima de confiança, interacções
pessoais e de grupos que ultrapassam o conteúdo para, através dele, ajudar a
construir um referencial rico de conhecimento, de emoções e de práticas.
O avanço dos meios de comunicação contribui para mudar em nossa
sociedade, hábitos, concepções de vida e a própria cultura, em sentido mais
amplo. Segundo Moran (1991), os veículos de comunicação “refletem,
recriam e difundem o que se torna importante socialmente, tanto ao nível dos
acontecimentos (informação) como do imaginário. Diversos autores confirmam essa
idéia e descrevem sumariamente assim sua evolução: primeiro, foram os livros
(século XV, divulgados em larga escala graças aos tipos móveis de Gutenberg),
que influenciaram a sociedade e a educação; depois forma o jornal periódico (século
XVIII), o rádio (século XIX), a televisão e o computador (século XX).
Entretanto, essas tecnologias revolucionaram o mundo de maneiras diferentes.
Bibliografia
DODGE, Bernis. Webquest: a technique for Internet-based learning. The Distance Educator. San Diego, vol 1, n.2, p.10-13, Summer 1995.
ESTABROOK, Noel et al. Using UseNet Newsgroups. Indianapolis, Que, 1995.
FERREIRA, Sueli. Introdução às Redes Electrónicas de Comunicação. Ciências da Informação. Brasília, 23(2):258-263, Maio/Agosto, 1994.
ELLSWORTH, Jill. Education on the Internet. Indianapolis, Sams Publishing, 1994.
GARDNER, Howard. As estruturas da mente; a teoria das inteligências múltiplas. Porto Alegre, Artes Médicas, 1994.
GILDER, George. Vida após a televisão; vencendo na revolução digital. Rio de Janeiro, Ediouro, 1996.
MORAN, José Manuel. Informática na Educação: Teoria & Prática.
Porto Alegre, vol. 3, n.1 (set. 2000) UFRGS. Programa de Pós-Graduação em Informática na Educação,
pág. 137-144.
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